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quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Ele me disse...

Que por muitas vezes retornou e se deparou com as luzes apagadas. 
Eu estava lá dentro, com meus olhos perdidos, 
me segurando pra não olhar pela fresta do portão. 
E ver se era mesmo o carro dele. Eu escrevia pra ele.
Escrevi tanto que por fim decidi que chega:
No amor é necessário alguém para afundar junto.
Mudei de cigarro. Tomei porres mais sujos. Aposentei os saltos.
Não é possível voltar. Fiz outras coisas, me ocupei em dobro.
Me apaixonei de novo, ao menos tentei. Esse amor acabava comigo.
Fugi tanto que além de volta e meia pensar nele, acabei cansada. 
Pensava nele dentro do carro debaixo das arvores e tudo apagado;
Entrelaçando as pernas dele em pernas que ele nunca poderia gostar,
não como gostava das minhas;
Digo isso porque nossas pernas se completavam, se entendiam, 
dividiam o mesmo espaço, quase se fundiam e planejavam seguir pra sempre
os mesmos caminhos.
Ele disse que sentia minha falta...
Disse que comigo era diferente...
Que palavras vazias não adiantavam.
Amores de copo não eram suficientes
Era preciso mais que uma noite, um momento qualquer
Por isso ele retornava, ele queria olho no olho, testa na testa.
Palavras sinceras, amores sóbrios
Só que pra ter tudo isso precisa ter coragem pra se entregar, dar a cara a tapa, correr riscos, desobedecer os signos.
Então eu pulei...
Eita insônia da poha
Mulher apaixonada que não dorme é uma merda.

-Mari carazolli